sexta-feira, abril 24, 2026
spot_img
InícioDestaqueGoiás negocia acordo com Japão para exploração de terras raras

Goiás negocia acordo com Japão para exploração de terras raras

Ao g1, Ronaldo Caiado afirmou que Goiás sairá na frente com a parceria. O projeto de lei que firmou a parceira entre Goiás e Japão foi sancionado pelo governador Ronaldo Caiado na quarta-feira (27)

Durante visita de representantes do Governo do Japão a Goiás, o governador Ronaldo Caiado (União) falou sobre a negociação entre as partes para a exploração de terras raras em Minaçu, no norte do estado.

Ao g1, Caiado afirmou que o Brasil está vivendo uma época colonial na exploração do material e que Goiás sairá na frente dos demais estados buscando a parceria. O projeto de lei que firmou a parceira entre Goiás e Japão foi sancionado pelo governador Ronaldo Caiado na quarta-feira (27).

“Estamos buscando a tecnologia japonesa e um fundo de pesquisa mineral . Com isso, nós queremos transformar as terras raras. E que cumpra todas as etapas, são cinco etapas, para que você tenha a separação dos metais,” disse Ronaldo Caiado.

Coletiva

As declarações foram dadas durante coletiva de imprensa realizada na quinta-feira (28), no Palácio Pedro Ludovico Teixeira, em Goiânia.

Segundo o governador, hoje os metais mais procurados são o disprósio e o térbio. “Imagina a indústria brasileira desenvolvendo baterias, podendo desenvolver tudo aquilo, tubos de ressonância, motores de eólica, tudo isso depende exatamente destes minerais,” comentou Caiado (veja a classificação dos minerais abaixo).

Segundo o embaixador Teiji Hayashi ao g1, poucos países refinam as terras raras atualmente, incluindo o Japão e a China, que é atualmente a maior detentora do recurso. Teji explicou que umas das intenções do país com o estado é reduzir a dependência japonesa do recurso advindo da China.

Terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos encontrados em abundância na natureza. Eles ganham status de raros devido à dificuldade de separar sua forma pura dos minerais onde se acumulam.

Segundo a Agência Nacional de Mineração, os elementos são classificados da seguinte forma:

  • leves: lantânio, cério, praseodímio e neodímio;
  • médios: samário, európio e gadolínio;
  • pesados: térbio, disprósio, hólmio, térbio, túlio, itérbio, lutécio e ítrio.

Única fora da Ásia

De acordo com dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, ficando atrás apenas da China. O país asiático é responsável por mais de 60% da produção global e quase 90% do refino desses elementos.

Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), a Serra Verde Pesquisa e Mineração (SVPM), em Minaçu, é a única mineradora fora da Ásia a produzir em escala comercial os quatro elementos magnéticos essenciais. A mineradora produz um concentrado de terras raras com alta proporção de disprósio (Dy) e térbio (Tb), além de neodímio (Nd) e praseodímio (Pr). A cidade tem um depósito de terras raras em argila iônica.

📈 De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em maio deste ano, Goiás exportou 60 toneladas de terras raras, com valor de US$ 965 mil. Já em fevereiro, foram 419 toneladas, com valor de US$ 5,7 milhões.

Minaçu tem depósito de terras raras em argila iônica — Foto: Arte/g1 

Minaçu: do amianto às terras raras

A partir de um projeto de implantação de um parque industrial da Sama Minerações Associadas na região da Serra da Cana Brava, na década de 1960, houve a formação de um povoado que posteriormente foi chamado de Minaçu, no extremo norte do estado. O nome tem origem tupi-guarani e significa Mina Grande.

“No ano de 1965, a mineradora Sama obteve a autorização de pesquisa e em 1967 recebeu do Departamento Nacional de Produção Mineral o decreto de lavra e, nesse mesmo ano, instalou uma usina piloto”, pontuou o texto.

O município conquistou a sua emancipação política em 1976. A indústria é a principal base da economia local.

O amianto continuou a ser o grande foco do município até a proibição do Supremo Tribunal Federal (STF). Em 2017, foram consideradas válidas cinco leis estaduais e uma municipal que restringiam ou impediam a extração e o uso do amianto crisotila.

O julgamento foi concluído em fevereiro de 2023, quando o Plenário confirmou a inconstitucionalidade da norma federal que autorizava a extração, a industrialização, a comercialização e a distribuição da crisotila. Mesmo assim, em 2024, a Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) estabeleceu um prazo de cinco anos para o encerramento das atividades de extração e beneficiamento do amianto na mina de Cana Brava.

A decisão teve como justificativa “permitir a transição gradual da atividade para mitigar os impactos econômicos, sociais e ambientais na região produtora, bem como estabelecer planejamento de recuperação local após o fechamento da mina”.

Em março de 2025, o STF retomou o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 6200, ação que questiona a constitucionalidade da lei goiana, que autorizou a extração de amianto em Minaçu para exportação.

No entanto, os ministros não chegaram a um acordo. Em junho, o ministro Nunes Marques pediu a prorrogação do prazo de vista – período que concede mais tempo para analisar o caso antes de votar. Novamente a decisão foi adiada.

Investimento na cidade

As terras raras emergiram com uma nova possibilidade econômica em Minaçu. Ao g1, o prefeito Carlos Leréia (PSDB) disse que “com o banimento do amianto no Brasil, que já não se usa mais, apenas para vender para fora, está surgindo aqui na nossa cidade com investimento de aproximadamente R$ 3 bilhões, a Serra Verde”.

Leréia ressaltou que o investimento trouxe benefícios para a cidade, pois Minaçu tem melhorado e expandido. Ele pontuou que a empresa ainda produz pouco, mas as expectativas para os próximos anos são otimistas.

“No auge da produção, que se espera que ocorrerá entre 2027 e 2028, a cidade vai ter muitos recursos, tanto o município, o estado, quanto o país. Nós acreditamos e colocamos fé no projeto Serra Verde em Minaçu”, disse.

O prefeito mencionou ainda que tenta incentivar que a separação do mineral seja realizada em Goiás. O maior impasse para que isso ocorra é que o Brasil ainda não tem a tecnologia necessária para fazer essa separação.

Por: G1

RELATED ARTICLES

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, insira seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

spot_img
spot_img
spot_img

Most Popular

Recent Comments